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Sintomas

Alterações sensitivas

Em cerca de um terço das pessoas com Esclerose Múltipla, os sintomas aparecem primeiro sob a forma de perturbações sensitivas, que são problemas relativos a sensações «estranhas», como por exemplo:  dormência, uma sensação de picada, ou a falta de sensibilidade numa área do corpo. Estes sintomas são muitas vezes assimétricos: aparecem numa mão, numa perna, ou em áreas espalhadas pelo tronco.

As «sensações de picadas» ou uma «espécie de prisão» de uma articulação principal e uma sensação de constrição torácica são igualmente comuns. Nalguns casos, as pessoas descrevem sentir como que uma corrente eléctrica descendente ao longo das costas. Este fenómeno é conhecido por sinal de L’Hermitte.

Perturbações na visão

Um dos sintomas mais comuns de Esclerose Múltipla é a deficiência visual. Os sintomas incluem visão enevoada e podem ir até à perda de visão num dos olhos (cegueira principalmente unilateral transitória), ou mesmo cegueira nos dois olhos (cegueira bilateral).

Outros sintomas da EM relacionados com a visão incluem ver «imagens duplicadas» se a desmielinização afectar os centros ou tractos nervosos que controlam os músculos oculares. As perturbações visuais levam por vezes às tonturas, como nos casos de nistagmo, um movimento rápido involuntário dos globos oculares, geralmente lateral.

Vertigens e Coordenação

Vertigens

As Vertigens (tonturas) estão associadas a uma sensação desagradável de andar à roda, de confusão, ou ocasionalmente descritas como uma sensação de desmaio. As vertigens são normalmente o resultado de alterações ou lesões envolvendo os órgãos do equilíbrio. 

Problemas de Coordenação

Uma alteração da coordenação motora é uma condição médica conhecida por ataxia. Os problemas de coordenação são geralmente o resultado de lesões do cerebelo ou de fibras nervosas que se dirigem ou saem do cerebelo para outras áreas do sistema nervoso. O cerebelo é uma parte do cérebro, situada atrás do tronco cerebral, que controla o equilíbrio e a coordenação dos movimentos.
Os problemas de coordenação podem levar a dificuldades em efectuar movimentos específicos, como levantar uma chávena. Nalguns casos, a ocorrência de oscilações bruscas descoordenadas no movimento (designado tremor de intenção, eventualmente muito marcado) pode fazer com que este tipo de acção se torne impossível.

Algumas pessoas podem ter dificuldade em sentar-se, a estar de pé ou andar. As perturbações vocais são conhecidas por disartria , em que o discurso é sincopado, ou lento, com enunciação hesitante e, por vezes, sem variações de tonalidade.

Dificuldades de movimentos

Um sintoma que se poderá tornar cada vez mais evidente à medida que a Esclerose Múltipla se desenvolve é a incapacidade de mover os membros livremente e de acordo com a própria vontade. Este é o resultado de um distúrbio motor, que resulta numa falta de força e alteração da tonicidade muscular. O aumento do tónus designa-se espasticidade  que se traduz por um aumento da resistência à mobilização e da tensão muscular, podendo coexistir espasmos quando mais grave.

  • Sintomas menos graves poderão incluir dificuldades da marcha; as pernas tornam-se pesadas com a sensação de “ficarem presas” ao chão, sobretudo após longos períodos de caminhada; os movimentos tornam-se mais lentos e pode tornar-se difícil executar movimentos rápidos. Subir escadas pode tornar-se cansativo.
  • Com sintomas mais graves, as pernas tornam-se cada vez mais tensas e fracas, uma perna pode começar a arrastar e as pessoas podem ter problemas em equilibrarem-se em piso irregular. Os músculos cansam-se prematuramente. A fraqueza muscular e o tónus (espasticidade) podem aumentar.   

A espasticidade também é influenciada por factores externos como o stress, as condições atmosféricas, a dor ou por situações infecciosas associadas. No caso de espasticidade avançada, podem ocorrer espasmos involuntários rítmicos, especialmente dos pés, muitas vezes em resultado de se tentar executar movimentos simples, como levantar um calcanhar. 

Na maioria dos casos, os espasmos rítmicos cessam depois de alguns surtos, se forem graves, poderão apenas ser interrompidos através de algumas manobras como por exemplo mudando de posição, ou apoiando todo o pé firmemente no chão. Algumas pessoas também sofrem de cãibras ou espasmos nocturnos dolorosos.

Desordens da bexiga

A frequência de desordens da bexiga está relacionada com as diferentes fases da doença, a localização das lesões e do grau geral da incapacidade.

As queixas mais frequentes são uma necessidade quase compulsiva de urinar, apesar de se urinar repetidamente. Nas fases mais avançadas da EM, o controlo da bexiga pode por vezes desaparecer, ou só se consegue esvaziar a bexiga muito lentamente, o que pode levar à ocorrência de infecções repetidas.

Questões sexuais

As pessoas com EM podem sentir alguns problemas sexuais em resultado da doença.  Estes podem incluir impotência, diminuição da sensibilidade durante as relações sexuais, ou tensão muscular involuntária. Saiba mais sobre como viver uma vida plena.

Alterações do humor

A EM pode ter um efeito adverso sobre o humor das pessoas, e os estados de espírito associados à doença podem incluir desmoralização, falta de auto estima e, mais comummente, depressão clínica. 
A depressão pode resultar de uma reacção ao diagnóstico da doença ou como um efeito secundário clínico da EM.

Fadiga devida a EM

A fadiga devida a EM é uma forma particular de fadiga de instalação rápida.

Pode manifestar-se como um cansaço físico e mental excessivo e cerca de 70% das pessoas com EM  sentem-na em determinada altura, durante o curso da doença. Esta forma particular de exaustão ocorre mesmo depois do mais pequeno esforço e não é atribuível à depressão.

Como é que a EM progride?

A Esclerose Múltipla é uma doença imprevisível, não progredindo de uma maneira uniforme. O curso da doença, o tipo e a gravidade dos sintomas ou danos subsequentes diferem de pessoa para pessoa e são impossíveis de prever de forma correcta na altura do diagnóstico. Devido à sua imprevisibilidade, é difícil saber quais as pessoas que irão progredir para uma forma mais avançada da doença e quais as que permanecerão estáveis.

Apesar da doença variar muito de pessoa para pessoa, a maioria das pessoas com EM pode esperar uma expectativa de vida normal ou próximo do normal. A medicação, como por exemplo os medicamentos modificadores da doença, podem ajudar uma pessoa com EM a viver uma vida plena e activa, aliviando muitos dos sintomas da doença e, o que é mais importante, abrandando o respectivo curso.

Existem quatro tipos de EM: Recidivante remitente, secundária progressiva, primária progressiva e benigna. Normalmente, o grau de incapacidade difere para cada tipo.

Sinais distintivos de EM

Os sinais distintivos da EM incluem surtos e manifestações de um novo  sintoma, ou o agravamento de um sintoma existente, que dure mais do que 24 horas. De forma geral, os sintomas desenvolvem-se no decorrer de alguns dias, permanecem constantes durante três ou quatro semanas e desaparecem em cerca de um mês.

Para uma visão detalhada de cada tipo de EM clique num dos links abaixo. A informação inclui um prognóstico (resultado previsto) geral para indivíduos em cada fase da doença.

EM Recidivante Remitente

A EM Recidivante Remitente (EMRR) é a forma mais comum de Esclerose Múltipla (aproximadamente 40% de todos os casos de EM). As pessoas com EM recidivante remitente têm surtos  ou sintomas imprevisíveis, mas geralmente voltam ao normal (o estado de «remissão») entre os surtos. Durante este tempo, a pessoa recupera total ou parcialmente dos sintomas experimentados durante o surto.
Se a saúde de algumas pessoas com EM Recidivante Remitente (EMRR) se deteriora depois de cada surto, mas a sua condição é estável entre surtos, isto designa-se por «EM Recidivante Remitente com agravamento».

Em pessoas com EMRR, o curso da doença é progressivo; depois de 10 ou 15 anos, aproximadamente 75% das pessoas que sofrem de EMRR irão progredir para EM Secundária Progressiva (EMSP)1

 

Referências

  1. Weinshenker et al., 1989, Weinshenker BG, Bass B, Ricce GPA et al. The natural history of Multiple Sclerosis: a geographically based study. 1. Clinical course and disability. "Brain" 1989; 112: 133―46.

EM Secundária Progressiva

Sem tratamento, a EM Secundária Progressiva, anteriormente chamada EM progressiva crónica, desenvolve-se num período de 10 anos em cerca de 50% das pessoas que têm EM Recidivante Remitente.

Algumas pessoas com EM Secundária Progressiva apresentam surtos, mas nem todas têm surtos.  Com o tempo, as pessoas com esta condição experiênciam um aumento gradual e contínuo de sintomas e a nível da incapacidade.

Quinze anos depois de terem sido diagnosticadas com EM Secundária Progressiva, algumas pessoas podem necessitar de auxiliares para caminhar, como uma bengala por exemplo, e outras podem necessitar de cadeira-de-rodas.

EM Primária Progressiva

As pessoas com EM Primária Progressiva apresentam sintomas  que se agravam de forma constante desde o início do diagnóstico e não têm surtos distintos. A sua incapacidade agrava-se gradualmente e pode estabilizar em determinada altura ou continuar a agravar durante meses ou anos.

A EM Primária Progressiva é uma forma progressiva da doença e não apresenta períodos claros de surto ou remissão. A idade em que as pessoas inicialmente sofrem desta forma da doença é geralmente mais avançada do que para os outros tipos de EM; a EMPP afecta normalmente pessoas com cerca de 40 anos ou mais (podem ocorrer casos raros em idades mais jovens).

Ao contrário das outras formas de EM, a EMPP tem a mesma probabilidade de ocorrência em homens e mulheres. Os sinais iniciais da doença apresentam-se normalmente como uma forma progressiva de marcha espástica com um declínio associado na qualidade do andar. O prognóstico da doença nos casos de EMPP é geralmente pior do que para outros tipos de EM, apresentando deterioração mais rápida.

Pode ser difícil fazer um diagnóstico definitivo de EMPP, assim como uma  imagem de RMN  do cérebro pode não revelar quaisquer sinais das placas típicas de EM, devido à sua formação característica na medula espinhal. É por isso essencial efectuar uma RMN à coluna para se poder diagnosticar esta forma de EM.

EM Benigna

As pessoas com EM Benigna têm surtos sensitivos ligeiros, pouco frequentes, com recuperação total. Depois de um ou dois surtos com recuperação completa e sem qualquer incapacidade, esta forma de EM não se agrava ao longo do tempo e não existe uma incapacidade permanente ou progressão da doença. No entanto, alguns doentes com EM Benigna apresentarão eventualmente uma progressão na doença; o curso da doença poderá mudar e evoluir para as fases Progressivas da EM, dentro de 10 a 15 anos após o início oficial.

A EM Benigna é uma das formas menos comuns da doença, com apenas 10% dos doentes diagnosticados com este tipo de EM.

A EM Benigna tende a apresentar sintomas sensitivos não visíveis no início e geralmente não apresenta sintomas motores (como visão dupla, dificuldades de coordenação ou tremor).

A EM Benigna apenas pode ser confirmada se existir uma incapacidade mínima após 10 a 15 anos do início oficial da doença.

Factores de prognóstico

Apesar de não existir uma forma standard de EM, certos factores desempenham um papel significativo na evolução a longo prazo do curso da doença.

  • No caso de incapacidade ligeira nos primeiros cinco anos, dois terços das pessoas com EM ficam também relativamente estáveis durante um período de 15 anos;
  • No caso de um aumento rápido de incapacidade desde o início, é de esperar uma incapacidade pronunciada após 15 anos.  

Os seguintes factores são indicativos de um curso favorável da doença:

  • Perturbações sensitivas ou da visão como sintomas iniciais;
  • Remissão completa das perturbações;
  • Ausência de incapacidade após um período de cinco anos. 

Os factores seguintes são sinais de um curso menos favorável:

  • Sintomas de paralisia, no início da doença;
  • Manutenção dos défices logo no início;
  • Idade avançada quando a doença se inicia;  
  • Uma taxa elevada de surtos no curso da doença.

Outros factores importantes sobre a EM:

  • A EM não é uma doença mortal e apenas algumas pessoas morrem devido a complicações de EM muito avançada;
  • A esperança de vida das pessoas com EM é aproximadamente equivalente à de pessoas sem a doença;
  • Cerca de metade das pessoas afectadas podem esperar um curso da doença relativamente favorável, sem limitações graves.